segunda-feira, 15 de setembro de 2008

De lembrar

Foram as chances
Como é triste pensar naqueles que fecham suas portas para a vida
Lembro-me de Rodrigues
Moça bonita, de esplendor raro
Transformou-se em natureza
Em seus mistérios
Fascínios
Nas mentiras
Na nova tatuagem
Fechou a vida pra Arte
Quando virou as costas
E saiu
Mas queria voltar
Vislumbrava todo aquele glamour
As palmas
O público
Quis ser a princesa
A fada
A bela que adormeceu
Mas não tinha alma branca
Fechou-se para o mundo
Quis ser Carmem, Maria, Eugênia, de Castro
Mas era só uma Rodrigues
Perdida e solitária
Com suas pílulas ineficazes
O silêncio da dor
Quis ter um filho
E não o pai
Queria o mundo
Mas ele não a queria
E quando descobriu ser, não aquilo que ele ainda esperava
Fechou-se para o mundo
Deu adeus à vida e mergulhou na busca pelo seu “EU”
Freud não explicou à boa moça
Que ela era má
Pesava no olhar
Semeava rancor
Ficou maior
Cresceu por dentro
Ainda mais bela
Fechou-se para o mundo
E ainda segue a cantar
Por Helen de Sousa_10set08

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Amizade

Mais que uma mão estendida
mais que um belo sorriso
mais do que a alegria de dividir
mais do que sonhar os mesmos sonhos ou doer as mesmas dores
muito mais do que o silêncio que fala ou da voz que cala, para ouvir
é, a amizade, o alimento que nos sacia a alma
e nos é ofertado por alguém que crê em nós.
Rosangela

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Mais uma garota

Mais uma garota que via a vida passar... Viu o filho nascer, o pai morrer, o dia clarear.
Sabia quase tudo daquilo que queria saber.
Subiu no alto do monte. Beijou o monge. Cuspiu no prato. Tinha tudo pra ser perfeito, mas não foi.
Ouviu comentários sobre o filho crescido. Orgulhou-se. Era ele.
Procura o caminho de volta pra casa.
Está sentada enquanto todos dormem. Espera que não esperem ela chegar, pois ela não sabe quando.
Não tinha que fazer sentido, mas sentido fez.
Quando todos foram embora, ela ficou.
Pedia a Deus. Agradecia sua vida. Temia o futuro.
Uma pobre garota esperando, sem saber mesmo o que.
Decidiu levantar-se, foi ao portão, olhou as ruas e lembrou do menino, moço bonito, que a visitava pra trazer cds. E trazia consigo todo o amor.
Desceu a rua e viu o mar. A mensagem na garrafa dizia “Em breve passará por momentos felizes em casa”. Mas eles já existiam, não necessitava surpresas nem adivinhações.
Pediu o conselho ao velho e o velho disse: “Voa, voa pra longe, no latão de asa!” E ela voou. Foi para tão longe que esqueceu de voltar. Deixou a alma por lá. Trouxe o corpo cansado, enfadado.
Sorriu para a mãe.
Disse adeus a todos os amigos e eles a esqueceram, os amigos...
Pediu a benção. Foi abençoada.
Compartilhou conhecimento.
Queria ver a noite, mas a noite era negra, misteriosa e ameaçadora. Tinha medo dela.
Adiou o sonho.
E sempre que quer voltar, canta a música, dança e ouve o dia em todos os seus tons. Faz Nascer a flor. Cumpre a missão.
Levanta de novo. E sai.



Por Helen de Sousa_04set08



sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Se te pareço a tua mãe

Se eu pareço a tua mãe, a que me resumo?
Aquela que te pegou no colo nas horas tristes?
Aos dias mais felizes da tua vida?
A dor da partida?
Ao passo dado?
A lágrima distante?
Ao sorriso mais sublime?
A que me resumo em tua vida?
Se eu pareço a tua mãe...
Tens desejos intermináveis de não sair mais do meu lado?
Conforta-te saber que estarei lá quando precisares?
Tu me darás carinho na cama pela manhã?
Desaparecerás como na noite anterior?
Tu me ligarás aflito?
Esquecerás de mim quando estiveres nos braços delas?
Se eu pareço a tua mãe, a que me resumo?
Ao dia de sol na praia, tomando um picolé?
A que me resumo?
Por que suspiras?
Estarei eu demasiadamente angustiada?
A que me resumo?
Seu te pareço maternal...
Não poder ter os meus braços em sua forma mais carnal, além do que se tem
Não te apaixonarás por mim
Serás o homem que sempre sonhei
Com todo vigor viverás
E se te pareço com tua mãe,
Estarei lá ao final
Com a mesma ternura no olhar
O mesmo doce e suave perfume
De cabelos longos e encaracolados
Olhando-te, pelos meus olhos, aproximar-se ávida e lentamente...
E te tomarei em meu peito
Beijarei teu semblante cansado
E cantarolar em teus ouvidos
Acariciando os teus cabelos
Descansaremos em nosso leito de amor!

Por Helen de Sousa_29ago08

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A Vida Secreta das Palavras

"A palavra, a mais antiga e extraordinária invenção da humanidade, já dizia o general romano Catão (Macus Porcio Cato 234 a.C - 149 a.C ), é dom de todos, usá-la com sabedoria é para poucos.
As palavras têm vida própria, têm seu tempo. São concebidas a partir de idéias, sensações, pensamentos, sentimentos e intenções. Nascem das diversas formas de expressão e, então, não mais obedecem. Têm as suas preferências. Se “empatizam”, são solidárias, se juntam e vão pra onde querem. Se unem aos seus congêneres, rejeitam o que lhes fere. Seus vínculos são vivos e dinâmicos. Identificam seu complemento, formam frases e anseiam mais.
São independentes, não se subordinam. Não por rebeldia e sim por clareza de vocação.
Quando nos damos conta, lá estão elas, as palavras, se ajeitando num parágrafo, num texto, como partes ou toda a narrativa. Donas da história. Realizadas e serenas ou incomodamente desajustadas.
Quem escreve é hospedeiro, parte do processo. Via de libertação. Empresta o seu mundo para que as palavras possam, enfim, cumprir sua missão: instigar os corações inquietos concedendo-lhes os benefícios da dúvida, fartar o desjejum dos cérebros despertos, dar sentido e uma certa ordem ao caos que nos rodeia e ao caos que nos habita.
Como as pontiagudas terminações dos arados, preparam as mentes férteis para o plantio.
Se felizes, serão belas obras, breves ou eternas. Medíocres, servirão aos seus iguais. Infelizes, serão efêmeras existências que, sem legado, morrerão sem luto."

Por Maria Balé